Três projetos de renomeação de estações e instalações do sistema metroferroviário de São Paulo continuam pendentes na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Apresentadas em 2014, as propostas ainda aguardavam uma decisão definitiva em 30 de outubro de 2026.
Os projetos tratavam do Pátio Oratório, da Estação Faria Lima e de uma estação planejada para a Linha 9-Esmeralda, na região do Grajaú. Segundo os registros da Alesp mencionados na reportagem, os vetos do então governador Geraldo Alckmin ainda não haviam sido concluídos em plenário.
As propostas envolveram parlamentares, o governo estadual e empresas responsáveis pelo sistema, incluindo o Metrô de São Paulo e a CPTM. Os casos se referem a instalações de diferentes linhas e tiveram tramitação na Assembleia paulista ao longo de mais de uma década.
A permanência dos vetos na pauta permite acompanhar tanto as justificativas para rejeitar as mudanças quanto o percurso legislativo ainda sem desfecho. A reportagem também reúne outras tentativas de alterar nomes de estações e explica por que propostas vetadas podem continuar pendentes.
Projetos de 2014 miraram o Pátio Oratório e a Estação Faria Lima
O PL 1235/2014, apresentado pelo então deputado Orlando Morando, propunha dar ao Pátio Oratório, usado pela Linha 15-Prata, o nome de “Helio Ribeiro”. O então governador Geraldo Alckmin vetou integralmente a proposta em 2015.
Na justificativa, o governo citou a posição do Metrô de São Paulo, que defendia denominações baseadas em referências urbanas preexistentes e significativas. Oratório atendia a esse critério por sua relação com a região, enquanto a troca de nomes já estabelecidos poderia confundir passageiros e gerar gastos com a substituição da comunicação visual.
A Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Alesp aprovou, em 2015, parecer favorável ao veto do Pátio Oratório. A decisão final, porém, caberia ao plenário, que não concluiu a análise.
Já o PL 1262/2014, do então deputado Carlos Neder, pretendia inicialmente substituir Faria Lima, na Linha 4-Amarela, por “Largo da Batata”. Durante a tramitação, o texto passou a propor “Faria Lima – Largo da Batata” e só chegou ao governador após mais de três anos de percurso na Assembleia; Alckmin o vetou em fevereiro de 2018.
Santa Cabrini e outras propostas de mudança de nomes
Apresentado pelo então deputado Luiz Claudio Marcolino, o PL 1333/2014 sugeria chamar de “Santa Cabrini” uma estação planejada para a Linha 9-Esmeralda, na região de Jardim São Bernardo e Vila Natal, no Grajaú. Antes da escolha do nome, a CPTM fez uma pesquisa de identificação regional: “Mendes-Vila Natal” recebeu 38% das indicações, enquanto “Santa Cabrini” teve 3%.
Apesar do resultado, a Alesp aprovou a denominação Santa Cabrini. Ao vetar o projeto, em janeiro de 2016, Alckmin reproduziu argumentos da CPTM sobre critérios históricos e geográficos, referências conhecidas pelos moradores e aceitação dos usuários. A companhia também afirmou ter autonomia para administrar seu patrimônio, incluindo os nomes das estações.
Outras propostas tiveram destinos distintos. Uma iniciativa de 2012 queria acrescentar “Professor Paulo Meinberg” a Parada Inglesa, da Linha 1-Azul, mas, em maio de 2015, a Assembleia manteve o veto e arquivou o projeto; também houve propostas para incluir Vila Ré no nome de Patriarca e associar Nenê de Vila Matilde à estação homônima da Linha 3-Vermelha.
Em 2015, o então deputado apresentou o PL 1626/2015 para associar o nome do médico e pastor Enéas Tognini à Estação Vila Mariana. A Assembleia aprovou a proposta, mas Alckmin a vetou integralmente. A Comissão de Constituição, Justiça e Redação se posicionou contra o veto, sem que o plenário desse a decisão definitiva.
Por que os vetos continuam pendentes na pauta da Alesp
O veto do governador não encerra automaticamente a tramitação de um projeto aprovado pela Assembleia. A matéria retorna ao Legislativo, onde os deputados podem manter ou rejeitar a decisão; até que o plenário vote, o veto permanece pendente.
O veto ao projeto sobre o Pátio Oratório já figurava entre os aguardados pela Alesp em 2023, quando ocupava o item 183 da Ordem do Dia. Em outubro de 2026, quase quatro anos depois e mais de uma década após a apresentação da proposta, continuava na pauta sem votação final.
Os processos relativos à Estação Faria Lima e à estação planejada para o Grajaú também seguiam sem desfecho definitivo nos registros da Assembleia em 2026. Como os nomes pretendidos não chegaram a entrar em vigor, a pendência diz respeito à análise dos vetos aos projetos, e não à alteração das denominações utilizadas pelos passageiros.


