Motoristas de ônibus ameaçam nova greve após demissão por justa causa em SP

A greve de ônibus em São Paulo, anunciada por motoristas ligados à Transwolff após demissões por justa causa, foi adiada para a semana seguinte, segundo o advogado Emerson Silva. A paralisação estava prevista para começar à meia-noite de 21 de outubro de 2026.

O impasse surgiu após uma paralisação em 19 de outubro. Trabalhadores afirmam que pelo menos três funcionários foram demitidos por justa causa e apontam falta de comprovação de recolhimentos ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Na manhã de 21 de outubro, a SPTrans informou que as linhas operavam normalmente e que não havia informação sobre uma paralisação. A mobilização de 19 de outubro havia afetado 34 linhas do lote D10, na zona sul da capital.

greve de ônibus em SP

A Transwolff está sob intervenção da prefeitura desde dezembro de 2025 e foi citada em investigações do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil sobre suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte. As reivindicações dos trabalhadores e a situação das linhas estão entre os pontos centrais do caso.

Demissões e reivindicações dos trabalhadores

Em declaração atribuída ao advogado Emerson Silva em 21 de outubro, o prefeito teria considerado ilegal a mobilização e informado que participantes poderiam sofrer sanções. Silva afirmou que essa possibilidade levou os motoristas a adiar a greve de ônibus em SP para a semana seguinte.



Júnior Araújo, motorista e integrante da liderança da categoria, disse ter recebido um telegrama da empresa em 20 de outubro comunicando sua demissão por justa causa. O caso foi apresentado pelos trabalhadores como parte das dispensas que, segundo eles, ocorreram após a paralisação.

Araújo também afirmou que um documento entregue pela SPTrans não respondia às questões discutidas pelos funcionários. Segundo ele, os grevistas haviam recebido informalmente a garantia de que não seriam perseguidos nem sofreriam represálias; a Transwolff não havia respondido ao contato feito pela reportagem até a publicação.

Paralisação na zona sul e operação das linhas

Na paralisação de 19 de outubro, o Plano de Atendimento entre Empresas em Situação de Emergência (Paese) foi acionado para atender o transporte até a normalização das garagens. As linhas do lote D10 atendem mais de 267 mil passageiros na zona sul da capital.

A SPTrans assumiu oficialmente a gestão das operações da Transwolff em dezembro de 2025, depois que a prefeitura decretou a caducidade dos contratos da empresa. A mudança ocorreu enquanto a companhia estava sob intervenção municipal.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Polícia Civil investigam suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital. Nos autos das apurações, o ex-presidente da Câmara Municipal e ex-vereador Milton Leite é citado como o verdadeiro dono da Transwolff.



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