Abertura com Império de Casa Verde
A empolgação tomou conta do Sambódromo do Anhembi neste sábado (14) com o início da segunda noite de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo. A agremiação Império de Casa Verde foi a primeira a se apresentar, levando o público a uma viagem cultural por meio do enredo “Império dos Balangandãs: Joias Negras Afro-Brasileiras”, centrado na emblemática figura de Dona Fulô. Durante o desfile, um momento triste ocorreu com uma das integrantes da Ala das Baianas, que passou mal e precisou de assistência. Bombeiros e membros do público se uniram para prestar socorro, evidenciando o espírito comunitário do carnaval.
A escola fez sua apresentação sem pressa, respeitando os limites de tempo. Rogério Figueira, conhecido como “Tiguês”, diretor de Carnaval da Império de Casa Verde, comentou sobre o samba-enredo escolhido: “Buscávamos uma temática mais acessível e com raízes afro, trazendo à tona as primeiras mulheres que lutaram pela liberdade própria e de outras, simbolizando coragem e sabedoria nas suas ações”.
Águia de Ouro e suas Cores Vibrantes
Na sequência, a Águia de Ouro encantou os presentes com uma homenagem à cidade de Amsterdã, na Holanda. O refrão do samba-enredo, “Não me interpretem mal, eu vou me jogar de vez neste Carnaval”, já preconizava o clima vibrante que tomaria conta da avenida. O desfile destacou a capital holandesa em sua essência mais liberal, abordando temas como a liberdade sexual e o uso de maconha.

Os girassóis foram os protagonistas visuais, aparecendo tanto nas alegorias quanto nas fantasias das baianas, colorindo vividamente o sambódromo.
Homenagem da Mocidade Alegre a Léa Garcia
A Mocidade Alegre foi a terceira escola a desfilar e trouxe uma sentida homenagem à atriz Léa Garcia, falecida em 2023, aos 90 anos. Seu legado como um ícone da resistência ao racismo e suas performances marcantes foram celebrados ao longo da apresentação. O desfile foi magistral, com carros alegóricos e a bateria sob o comando do Mestre Sombra, que contagiaram as arquibancadas.
Um dos pontos altos foi um carro alegórico impressionante, com 13 metros de altura e 10 mil litros de água, que retratou a Deusa Iemanjá, oferecendo um forte impacto visual ao público. A médica e ex-BBB Thelma Assis participou do desfile, representando a artista homenageada.
Gaviões da Fiel e a Defesa Ambiental
Em seguida, a Gaviões da Fiel fez sua apresentação, trazendo à luz a cultura indígena e destacando a importância da defesa ambiental. Sua comissão de frente incorporou um transe xamânico que reimaginou a ausência da cor verde nas fantasias, representada por efeitos cintilantes que simbolizavam a vegetação. O carro alegórico mais imponente do desfile, com 72 metros, fez alusão ao “tempo dos sonhos”, exibindo um jacaré colossal e o gavião, símbolo da escola.
Uma alegoria abordou o desmatamento causado pela pecuária, reforçando a mensagem ambiental que a escola propôs em sua atuação.
Estrela do Terceiro Milênio Brilha com Criatividade
A Estrela do Terceiro Milênio, por sua vez, homenageou o cantor e compositor Paulo César Pinheiro. A comissão de frente trazia presentes notáveis como Clara Nunes, ex-esposa do homenageado. A bateria da escola destacava-se como um dos momentos culminantes do desfile, vibrando com energia e empolgação.
Um carro alegórico inovador, medindo 34 metros de comprimento e 15 metros de altura, com mais de mil luzes estroboscópicas, causou um espetáculo visual significativo no sambódromo, testemunhando a capacidade criativa de Pinheiro de enxergar a arte nas formas das nuvens.
Tom Maior em Tributo a Chico Xavier
A Tom Maior levou o público a um passeio pela vida de Chico Xavier, focando suas raízes em Uberaba. Alegria e reverência marcaram o desfile, destacando momentos com a figura de um xamã transformando-se em um animal e estruturas remetendo a ossadas de dinossauros. O abre-alas, considerado o ápice do desfile, contou com mais de 60 participantes vestidos em trajes escuros.
No entanto, um imprevisto técnico ocorreu com a falha dos geradores que interrompeu as luzes do segundo carro alegórico, prejudicando a performance da escola, que teve que lidar com esse entrave durante sua apresentação.
O Desfile Final do Camisa Verde e Branco
Fechando a noite, o Camisa Verde e Branco apresentou o enredo “Abre Caminhos”. Enfrentando algumas dificuldades nos quesitos plásticos e evolução, a escola procurou acelerar o desfile para respeitar o tempo limite. Infelizmente, um incidente fez com que o último carro alegórico colidisse com a grade lateral da pista, travando no meio da avenida e criando um distúrbio entre ele e a ala adiante.
Além das penalidades no quesito evolução, a escola também pode enfrentar uma redução de 0,3 pontos devido a ultrapassagem do tempo, encerrando seu desfile em 66 minutos.
Conflitos nas Apurações de Pontos
No início desta jornada de desfiles, na sexta-feira (13), outras sete escolas já haviam passado pela avenida. A apuração dos resultados será realizada na terça-feira (17), gerando expectativas entre as agremiações.
Impacto Visual nos Desfiles
Cada apresentação foi marcada por um forte impacto visual, desde carros alegóricos elaborados até as fantasias que encantaram o público. A diversidade dos temas abordados e a estética cuidadosamente elaborada mostraram a riqueza cultural que o Carnaval de São Paulo tem a oferecer, fazendo do evento um espetáculo aguardado anualmente.
Expectativas para a Grande Final
Com a animação em alta e os desfiles finalizados, todos os olhos agora se voltam para a apuração e a expectativa de coroar as escolas que se destacarem pelo seu enredo e performance na passarela. O Carnaval de São Paulo continua firmando-se como um dos eventos mais icônicos e vibrantes do Brasil, envolvendo e celebrando a cultura e a arte em sua forma mais pura.


